Nas últimas semanas, veio a público uma denúncia apontando que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) pode ter sido violada durante investigações relacionadas aos atos do dia 8 de janeiro de 2023. Segundo o relatório divulgado, dados pessoais de milhares de cidadãos teriam sido coletados e utilizados sem base legal clara ou consentimento dos titulares, levantando um debate relevante: quem fiscaliza o uso correto dos dados pelo próprio poder público?

O que está em discussão?

A apuração conduzida por juristas e entidades de proteção de dados sugere que houve coleta massiva de dados de geolocalização e informações bancárias, sem que os indivíduos fossem formalmente investigados. A denúncia levanta a possibilidade de que essas práticas tenham desrespeitado princípios fundamentais da LGPD, como:

  • Finalidade: os dados devem ser usados para uma finalidade legítima e clara;
  • Necessidade: só os dados estritamente necessários devem ser coletados;
  • Transparência: os titulares têm direito de saber como seus dados estão sendo usados;
  • Base legal: todo tratamento de dados precisa ter respaldo jurídico.

Vale destacar que a própria LGPD se aplica tanto ao setor privado quanto ao setor público — ou seja, empresas e órgãos governamentais têm as mesmas obrigações legais em relação à proteção de dados pessoais.

Por que isso importa?

Quando a lei é desrespeitada por quem deveria dar o exemplo, cria-se um precedente perigoso e um cenário de insegurança jurídica. Empresas que investem em adequação à LGPD, treinam seus colaboradores e estruturam processos internos para garantir a conformidade podem se sentir desestimuladas se perceberem que a lei não é aplicada de forma uniforme.

Além disso, o caso evidencia a importância da governança de dados também na esfera pública, com mecanismos de controle, auditoria e responsabilização.

O que sua empresa pode aprender com isso?

  • A LGPD vale para todos. Nenhuma organização — pública ou privada — está acima da lei.
  • Tratar dados com responsabilidade é questão de confiança e reputação.
  • Conformidade não é apenas um diferencial competitivo, é uma exigência legal.
  • Mapear, justificar e proteger os dados tratados é uma obrigação contínua.

A proteção de dados começa com o exemplo. Que a sua empresa seja referência em integridade, segurança e respeito à lei.

Na Legal Comply, ajudamos empresas e instituições a colocarem a LGPD em prática de forma séria, estratégica e eficiente. Atuamos com projetos completos de adequação, treinamentos, gestão de riscos e consultoria contínua.

Edgard Dolata